‘vocês deveriam fazer isso o tempo todo’

O debate sobre o futuro do trabalho na era da inteligência artificial deixou de ser teórico e passou a ganhar recomendações práticas vindas de quem está no centro da revolução tecnológica.

Um dos alertas mais diretos surgiu recentemente de Alexandr Wang, diretor do laboratório de IA da Meta e fundador da Scale AI.

Apesar da pouca idade, Wang comanda algumas das mentes mais avançadas do setor e defende que jovens, especialmente da Geração Z, precisam mudar imediatamente a forma como encaram programação e aprendizado técnico.

Para ele, a habilidade decisiva dos próximos anos atende por um nome ainda pouco conhecido fora do ecossistema de tecnologia: vibe coding.

Quem é Alexandr Wang e por que sua opinião importa?

Alexandr Wang (Foto: Reprodução)

Com pouco mais de vinte anos, Alexandr Wang ocupa um dos cargos mais estratégicos do setor de inteligência artificial global.

À frente do laboratório de IA da Meta e fundador da Scale AI, empresa essencial para o treinamento de grandes modelos de linguagem, Wang construiu uma trajetória meteórica.

Aos 19 anos, criou sua startup. Aos 25, entrou para a lista de bilionários da Forbes, com fortuna estimada em US$ 1,1 bilhão.

Mais do que números, sua relevância está no fato de trabalhar diariamente com os limites e as possibilidades reais da IA aplicada ao mercado.

O que é ‘vibe coding’ e por que ele defende essa prática?

Durante uma participação no podcast da TBPN, na cobertura do evento Meta Connect, Wang foi direto ao ponto ao falar com adolescentes e jovens adultos:

“Se você é jovem, deveria passar praticamente todo o seu tempo praticando vibe coding.”

O vibe coding representa uma nova forma de programar. Em vez de escrever linhas complexas de código manualmente, o profissional passa a conversar com modelos de IA, explicando em linguagem natural o que deseja construir, ajustando instruções, revisando resultados e combinando ferramentas até alcançar o objetivo final.

Segundo Wang, já não é tão decisivo dominar profundamente linguagens como Python, C++ ou JavaScript, mas sim aprender como orientar a IA, formular bons prompts, validar saídas e transformar ideias em produtos funcionais.

A programação já mudou e vai mudar ainda mais

O diretor da Meta afirma que, mesmo em poucos anos de carreira, já testemunhou mudanças drásticas no papel do engenheiro de software. E, segundo ele, os próximos cinco anos serão ainda mais disruptivos.

Na visão de Wang, a inteligência artificial será capaz de escrever a maior parte do código que hoje exigiria uma carreira inteira de um programador humano.

O diferencial competitivo não estará mais em “digitar código”, mas em saber o que pedir, como pedir e como integrar soluções.

Foto: iStock

Por que começar cedo faz toda a diferença?

A recomendação mais contundente de Wang é direcionada a adolescentes. Ele compara o momento atual ao surgimento dos computadores pessoais no fim dos anos 1970 e início dos 1980.

Naquela época, quem teve contato precoce com a tecnologia, como Bill Gates e Mark Zuckerberg, construiu vantagens decisivas no mercado. Para Wang, estamos vivendo um momento histórico semelhante, agora impulsionado pela IA generativa.

Ele defende que jovens que acumularem milhares de horas explorando ferramentas de IA, testando limites e aprendendo com erros terão uma vantagem estrutural no mercado de trabalho do futuro.

O engenheiro não desaparece, ele evolui

Apesar do avanço acelerado da automação, Wang não acredita no fim do profissional humano. O papel do engenheiro, segundo ele, apenas muda de lugar dentro do processo.

O novo profissional será responsável por:

  • Definir problemas com clareza;
  • Combinar diferentes modelos e ferramentas;
  • Avaliar criticamente os resultados da IA;
  • Transformar soluções técnicas em produtos reais.

É exatamente por isso que ele insiste tanto para que crianças e adolescentes se familiarizem desde cedo com o vibe coding, incorporando essa lógica de trabalho de forma natural.

O futuro pertence a quem aprende agora

A mensagem de Alexandr Wang é clara e direta: o futuro da programação não é resistir à IA, mas aprender a trabalhar com ela.

Para a Geração Z, o tempo de adaptação já começou, e quem ignorar esse movimento corre o risco de chegar atrasado a um mercado radicalmente diferente.

Assim como hoje ninguém imagina trabalhar sem computadores, em poucos anos será impensável programar sem inteligência artificial. E quem começar agora terá uma vantagem difícil de alcançar depois.